“Mulher tem que ser acolhida, não julgada”: audiência na Câmara de Marília fortalece rede de proteção e propõe metas contra a violência

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A Câmara Municipal de Marília abriu espaço para um debate necessário e urgente sobre o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. A audiência pública reuniu representantes da saúde, segurança pública, justiça, universidade, entidades da sociedade civil e população, reforçando que esse não é um problema distante: é uma realidade que exige ação, prevenção e união de forças.

O encontro foi conduzido pelo presidente da Casa, vereador Danilo Bigeschi, o Danilo da Saúde, e acompanhado pelas vereadoras Professora Daniela, autora da iniciativa, Fabiana Camarinha e Vânia Ramos.

Logo no início, a psicóloga Isabela Orlando, coordenadora do Comitê de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, e Fabiana Martins, do Núcleo de Prevenção e Cuidado à Pessoa em Situação de Violência, apresentaram o funcionamento dos serviços municipais, dados de atendimento e a importância de uma rede integrada entre saúde, assistência social, segurança pública e justiça.

A coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Tereza Machado, destacou que a violência contra a mulher também é um problema de saúde pública. Ela defendeu mais acolhimento, orientação sobre direitos, políticas de segurança financeira para vítimas e a criação da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, com estrutura para serviços como a Casa da Mulher Brasileira e Casa Abrigo.

A advogada Franciele Araújo lembrou a luta de Maria da Penha e os avanços da Lei Federal 11.340/2006, mas reforçou que o grande desafio ainda é agir antes que a violência chegue ao ponto mais extremo. Como diz o velho ditado, é melhor fechar a porteira antes que o estrago aconteça.

Representando a Polícia Militar, a capitã Aline Camargo Valentim apresentou dados preocupantes e afirmou que a PM é parceira no combate a esse crime. Segundo ela, somente em casos de violência doméstica, Marília registra, em média, seis ocorrências por dia. Também foram citados canais de apoio como a Cabine Lilás, o 190, o 180, delegacias especializadas, o aplicativo SP Mulher Segura e a plataforma Órion.

Pela Unimar, a jornalista e professora Mariela Cardoso colocou a universidade à disposição para contribuir na construção de protocolos, capacitação de profissionais e fortalecimento do fluxo de atendimento às mulheres vítimas de violência.

Durante a audiência, o Comitê de Enfrentamento à Violência contra a Mulher informou que está em estudo um Plano Municipal de Metas para o Enfrentamento Integral da Violência contra a Mulher. Entre as sugestões apresentadas, ganhou destaque a inclusão das igrejas no processo de acolhimento, com capacitação para orientar corretamente as vítimas até a rede de proteção.

A vereadora Professora Daniela, vice-presidente da Câmara e presidente da Bancada Feminina, afirmou que o debate é uma forma de mostrar às mulheres que elas não estão sozinhas.

“Queremos chegar antes da violência. As mulheres devem ser acolhidas, não julgadas. Essa não é uma luta apenas das mulheres, mas dos homens e de toda a sociedade. Vamos transformar dor em cuidado e esperança”, destacou.

O presidente da Câmara, Danilo da Saúde, elogiou a iniciativa e ressaltou que a Casa Legislativa, que também conta com a Procuradoria da Mulher, seguirá aberta para debates que ajudem Marília a avançar.

“Marília está fazendo história, e a Câmara sempre será um espaço aberto para a construção coletiva de soluções”, afirmou.

Comentário do JP Jornal O Popular

Quando a Câmara abre as portas para um tema como esse, quem ganha é a sociedade. Violência contra a mulher não se combate com silêncio, mas com coragem, informação, acolhimento e atitude. O assunto é sério, a dor é real e a resposta precisa ser coletiva. Em Marília, o debate mostrou que, quando a rede se une, a esperança ganha voz.

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