Cartões mantiveram a liderança entre as receitas do banco, enquanto fundos, custódia e corretagem registraram avanços expressivos; mercado de capitais e operações de crédito recuaram
O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 10,486 bilhões em receitas de prestação de serviços, crescimento de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2025. Em relação aos três primeiros meses deste ano, a alta foi de 1,1%.
O desempenho integra um trimestre em que o banco alcançou lucro líquido recorrente de R$ 7,050 bilhões, avanço anual de 16,2%, e receitas totais de R$ 37,6 bilhões. Segundo a instituição, os resultados refletem a diversificação dos negócios, com participação relevante das áreas de cartões, alta renda, consórcios, investimentos e seguros.
Cartões movimentam quase R$ 100 bilhões
A maior contribuição entre as receitas de serviços veio dos cartões, que somaram R$ 4,494 bilhões, alta de 0,8% em 12 meses. Apenas os cartões de crédito movimentaram R$ 99,514 bilhões no trimestre, crescimento anual de 8,8%.
Os clientes de alta renda responderam por aproximadamente 52% de todo o faturamento dos cartões, com expansão de 29% em relação ao segundo trimestre de 2025. Os números mostram a importância desse público para a estratégia comercial do banco.
Fundos e corretagem avançam
As receitas com administração de fundos cresceram 10% em um ano, chegando a R$ 984 milhões. O avanço foi impulsionado pelo aumento do patrimônio administrado e pela maior arrecadação com taxas de performance.
Outro destaque foi o segmento de custódia e corretagem, que apresentou crescimento anual de 26,4%, alcançando R$ 617 milhões no período.
Em sentido contrário, as receitas ligadas às operações de crédito recuaram 12,1%, para R$ 593 milhões. Já as receitas provenientes de contas correntes diminuíram 2,9%, totalizando R$ 1,628 bilhão. O Bradesco encerrou junho com 38,2 milhões de correntistas, número praticamente estável diante dos 38,1 milhões registrados um ano antes.
Mercado de capitais sofre pressão
A maior queda ocorreu na área de mercado de capitais e assessoria financeira. As receitas recuaram 17,2% em 12 meses, ficando em R$ 526 milhões.
Apesar da redução, o Bradesco BBI participou de 122 operações, que movimentaram aproximadamente R$ 174,2 bilhões. Foram 110 transações de renda fixa, no valor de R$ 163,3 bilhões; dez operações de fusões e aquisições, somando R$ 7,7 bilhões; e duas ofertas de ações, com volume de R$ 3,2 bilhões.
No primeiro semestre, o segmento de consórcios também apresentou crescimento de 14%, impulsionado principalmente pelas vendas de planos voltados ao setor imobiliário. O montante informado de R$ 24,7 bilhões deve ser interpretado como volume de vendas, e não como receita de serviços, já que toda a receita de prestação de serviços do Bradesco no semestre foi de R$ 20,859 bilhões.
Comentário do JP Jornal O Popular
Os números revelam um resultado positivo, mas com desempenhos diferentes dentro da própria instituição. Cartões, administração de fundos, custódia e corretagem avançaram, enquanto mercado de capitais, contas correntes e operações de crédito perderam força.
O desafio do Bradesco será manter o crescimento das receitas, controlar as despesas e transformar o aumento da movimentação financeira em rentabilidade sustentável. Em um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e maior cautela na concessão de crédito, diversificação e eficiência serão decisivas.
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