Mensagens enviadas após repercussão citam advogados, processo, “guerra” e exigem retirada da publicação; jornal reafirma que reportagem foi baseada em boletim de ocorrência da Polícia Civil e mantém espaço aberto para manifestação da Escola Ser e Saber e da professora
A repercussão de uma reportagem do JP Jornal O Popular sobre uma denúncia envolvendo uma criança de 5 anos na Escola Ser e Saber, em Marília, ganhou um novo capítulo.
Após a publicação, o jornal recebeu, por WhatsApp e Instagram, mensagens contestando a reportagem e exigindo que o conteúdo fosse retirado do ar.
Entre as manifestações recebidas estão frases como “se quer guerra, terá”, referências à existência de “três advogados”, aviso de possível processo e uma determinação direta: “apaga essa publicação”.
Em outra mensagem, o remetente afirmou que haveria imagens de câmeras de segurança que comprovariam que não ocorreu agressão e criticou a divulgação da versão registrada pela família.
O JP Jornal O Popular não atribui, neste momento, essas mensagens oficialmente à direção da Escola Ser e Saber, uma vez que é necessário distinguir manifestações individuais de um posicionamento institucional formal. O conteúdo, entretanto, foi recebido diretamente pelos canais do jornal após a repercussão da reportagem.
REPORTAGEM NÃO NASCEU DE BOATO: EXISTE BOLETIM DE OCORRÊNCIA
É preciso deixar um ponto absolutamente claro: a reportagem não foi produzida a partir de boatos de redes sociais ou acusações anônimas.
Existe um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil do Estado de São Paulo, no qual consta como local do fato a Escola Ser e Saber, em Marília, e a ocorrência foi registrada com natureza de “vias de fato”.
No histórico do documento, o responsável relata à Polícia Civil que a criança teria contado que uma professora teria lhe dado um tapa no rosto durante uma aula. O próprio boletim ressalta, ao final, que as informações prestadas são de responsabilidade do declarante e não constituem prova da veracidade dos fatos.
E foi exatamente dessa forma que o JP Jornal O Popular tratou o episódio desde a primeira publicação: como denúncia, relato e fato sob apuração — jamais como condenação definitiva de qualquer profissional.
Essa diferença não é detalhe. É jornalismo responsável.
“TEMOS VÍDEOS”: SE EXISTEM PROVAS, ELAS TAMBÉM MERECEM SER CONHECIDAS PELAS AUTORIDADES
Uma das mensagens recebidas afirma que existem vídeos de câmeras de segurança que demonstrariam que nenhuma agressão ocorreu.
Se essas imagens existem e podem esclarecer o episódio, trata-se de informação relevante para a apuração.
O próprio boletim registra que houve solicitação relacionada à preservação das imagens das câmeras de segurança da instituição, além de outras providências.
O JP Jornal O Popular não tem qualquer interesse em esconder uma eventual prova que favoreça a professora ou a instituição.
Ao contrário: se a Escola Ser e Saber possui elementos capazes de apresentar outra versão dos acontecimentos, o espaço jornalístico permanece aberto para que isso seja esclarecido, sempre preservando a identidade e a imagem das crianças envolvidas.
Jornalismo sério não escolhe previamente quem deve ter razão. Publica fatos documentados, ouve versões e acompanha aquilo que as autoridades apurarem.
PROCESSAR É UM DIREITO; EXIGIR SILÊNCIO NÃO MUDA O PAPEL DA IMPRENSA
Qualquer pessoa ou instituição que considere ter sido atingida por uma reportagem possui instrumentos legais para buscar reparação e exercer o contraditório.
A própria Constituição assegura o direito de resposta, ao mesmo tempo em que protege a liberdade da atividade de comunicação e o acesso à informação.
A Lei Federal nº 13.188/2015 também disciplina especificamente o direito de resposta ou retificação em matérias publicadas por veículos de comunicação social.
Portanto, dizer que poderá procurar advogados, registrar uma ocorrência ou recorrer ao Judiciário é exercício de um direito e, isoladamente, não configura qualquer ilegalidade.
Outra coisa é imaginar que uma reportagem baseada em documento policial será apagada simplesmente porque sua publicação desagradou a alguém.
O JP Jornal O Popular não trabalha sob esse princípio.
CONSTITUIÇÃO PROTEGE A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA
O artigo 220 da Constituição estabelece que a manifestação do pensamento, a expressão e a informação não sofrerão restrições nos termos constitucionais e determina que nenhuma lei pode criar embaraço à plena liberdade de informação jornalística. A mesma Constituição também protege honra, imagem e intimidade — limites que devem ser respeitados pela imprensa.
É justamente por isso que a reportagem utiliza expressões como “suposta agressão”, “segundo a família”, “conforme boletim de ocorrência” e “caso sob investigação”.
Não há sentença antecipada.
Não há declaração de culpa.
Há um fato jornalístico documentado: uma família procurou a Polícia Civil e formalizou uma ocorrência envolvendo um episódio que afirma ter acontecido dentro de uma escola.
Isso é de interesse público e pode ser noticiado, desde que com responsabilidade, preservação da criança e espaço para o contraditório.
JP REITERA: ESCOLA SER E SABER TEM ESPAÇO ABERTO
Desde a primeira reportagem, o JP Jornal O Popular deixou público que a Escola Ser e Saber e a professora citada possuem espaço para apresentar esclarecimentos.
E essa posição permanece inalterada.
A instituição poderá explicar as providências adotadas, contestar pontos apresentados pela família e encaminhar posicionamento formal. Caso existam imagens ou outros elementos relevantes, eles deverão ser avaliados pelos órgãos competentes e poderão ser considerados pela reportagem dentro dos limites legais de proteção às crianças.
O contraditório será publicado. O que o jornal não fará é substituir contraditório por apagamento de matéria sob pressão.
COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR
O JP Jornal O Popular não está em guerra com escola, professora, família ou qualquer pessoa envolvida neste episódio.
Também não deseja transformar uma investigação que envolve uma criança de 5 anos em disputa pessoal.
Mas é necessário estabelecer um limite claro.
Jornalismo não se faz sob intimidação.
Quando há um boletim de ocorrência, uma denúncia formalizada e um assunto de evidente interesse público, cabe à imprensa informar — com responsabilidade, cautela e ouvindo todos os lados.
Se a denúncia não se confirmar, isso será notícia.
Se imagens demonstrarem uma versão diferente, isso será notícia.
Se a investigação confirmar irregularidades, isso também será notícia.
O que não será aceito é a ideia de que mensagens mencionando “guerra”, advogados ou processos sejam capazes de determinar o que pode ou não permanecer publicado.
Quem discordar tem direito de resposta, de defesa e de buscar a Justiça. Da mesma maneira, a imprensa tem o direito e o dever de continuar fazendo perguntas.
O JP Jornal O Popular reafirma: o espaço para a Escola Ser e Saber está aberto. Para esclarecimentos, documentos e manifestação formal. Para pressão destinada a silenciar uma reportagem, não.
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JP Jornal O Popular — informação, responsabilidade e independência para informar.

