Investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos e o Ueno Bank, ex-presidente ficará detido em unidade militar; crise financeira provocou protestos e uma mudança no comando do país.
Por Alan Teixeira – Diretor do JP Jornal O Popular
A Justiça do Paraguai decretou, neste sábado (7), a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, destituído do cargo pelo Senado na sexta-feira (6). A decisão amplia a crise política e financeira que atingiu o país após o colapso do banco digital Ueno Bank, instituição com a qual o ex-mandatário manteve vínculos empresariais.
A medida foi determinada pelo juiz Humberto Otazú, a pedido do Ministério Público paraguaio. Peña é investigado por suspeitas de lesão de confiança e administração em benefício próprio, em um processo que apura possíveis irregularidades na utilização de recursos públicos e previdenciários.
Segundo a acusação, o ex-presidente teria utilizado sua influência política para favorecer a manutenção de depósitos de instituições públicas no Ueno Bank, apesar de seus vínculos financeiros com o grupo controlador da instituição, do qual foi acionista até março de 2025.
EX-PRESIDENTE FICARÁ DETIDO EM UNIDADE MILITAR
Durante audiência realizada em Assunção, Peña optou por permanecer em silêncio. O magistrado justificou a prisão preventiva pela necessidade de garantir sua permanência no país durante as investigações.
O ex-presidente ficará sob custódia no Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar da capital paraguaia. A Justiça também analisa um pedido do Ministério Público para bloquear seus bens.
Peña nega ter cometido irregularidades. Sua defesa afirma que ele pretende colaborar com o processo e espera que as acusações sejam rejeitadas.
CRISE BANCÁRIA PROVOCOU QUEDA DO GOVERNO
A crise começou após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, diante de problemas financeiros e suspeitas de irregularidades. O fechamento da instituição deixou milhões de clientes com dificuldades para acessar suas contas e desencadeou manifestações populares.
Pressionado politicamente, Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso manteve o processo de impeachment e aprovou sua destituição no dia seguinte.
Com a saída do presidente, o então vice, Pedro Alliana, assumiu o comando do Paraguai para concluir o mandato previsto até agosto de 2028.
As investigações também alcançam o ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo. Até o momento, as acusações estão em apuração e não representam condenação definitiva dos investigados.
COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR
A crise no Paraguai expõe as consequências que suspeitas de irregularidades na administração de recursos públicos podem provocar na economia e na estabilidade política de um país. A investigação precisa avançar com transparência, respeito ao devido processo legal e responsabilização de eventuais envolvidos, caso as acusações sejam comprovadas. Para milhões de cidadãos afetados pela crise bancária, recuperar a segurança de suas economias é uma questão tão urgente quanto o esclarecimento dos fatos.
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