“FOI CONTENÇÃO OU AGRESSÃO?”: JÚNIOR FÉFIN USA TRIBUNA PARA JUSTIFICAR VÍDEO EM QUE IMOBILIZA COMPANHEIRA PELO PESCOÇO, CRITICA MULHERES QUE COBRAM JUSTIÇA E AMPLIA POLÊMICA EM MARÍLIA

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Sob investigação policial e alvo de Comissão Processante por possível quebra de decoro, vereador nega agressão, atribui episódio a uma tentativa de conter a companheira e questiona a motivação das manifestantes que exigiram a apuração do caso.

Por Alan Teixeira – Diretor do JP Jornal O Popular

O discurso do vereador Júnior Féfin (União Brasil) na Câmara Municipal de Marília reacendeu a polêmica envolvendo as imagens em que aparece imobilizando a própria companheira no chão, com as pernas próximas ao pescoço dela, enquanto a mulher reclama de dores e dificuldade para respirar.

Ao ocupar a tribuna, o parlamentar negou ter cometido agressão, classificou sua atitude como uma tentativa de contenção e atribuiu o conflito a uma crise de ciúmes da companheira. Entretanto, suas explicações não encerraram os questionamentos sobre a gravidade das imagens.

O QUE O VEREADOR CHAMA DE CONTENÇÃO É JUSTAMENTE O QUE PRECISA SER ESCLARECIDO PELAS AUTORIDADES.

Na gravação que ganhou repercussão nacional, a mulher pede para ser solta e afirma estar sendo sufocada. Já Féfin sustenta que tentou controlá-la durante uma discussão envolvendo seu telefone celular.

Durante o pronunciamento, o vereador também fez declarações públicas de amor à companheira, Angélica, que acompanhava a sessão. Disse que a protege, afirmou estar apaixonado e ressaltou que ambos continuam juntos.

Mas a permanência de um relacionamento e as demonstrações públicas de afeto não são suficientes para esclarecer uma denúncia de violência doméstica. São as provas, os depoimentos e a investigação que deverão determinar o que realmente aconteceu.

CRÍTICAS ÀS MULHERES PROVOCAM NOVA CONTROVÉRSIA

Um dos momentos mais delicados do discurso ocorreu quando Féfin questionou as mulheres que compareceram à Câmara na sessão anterior para exigir providências.

O parlamentar afirmou que as manifestantes buscavam exposição pessoal e sugeriu interesses políticos por trás da mobilização, mencionando a possibilidade de obterem alguns minutos de fama.

As declarações atingiram diretamente a legitimidade do protesto organizado em defesa dos direitos das mulheres.

O movimento que levou o caso ao Legislativo teve participação de representantes de órgãos municipais de enfrentamento à violência contra a mulher. A denúncia resultou na abertura, por unanimidade, de uma Comissão Processante para investigar possível quebra de decoro parlamentar.

O DIREITO DE DEFESA DO VEREADOR É INQUESTIONÁVEL. MAS O DIREITO DAS MULHERES DE COBRAR INVESTIGAÇÃO E JUSTIÇA TAMBÉM DEVE SER RESPEITADO.

MANDATO SOB INVESTIGAÇÃO

A Comissão Processante tem prazo de até 90 dias para concluir os trabalhos, assegurando ao vereador o contraditório e a ampla defesa. O colegiado é presidido pela vereadora Professora Daniela, com Fabiana Camarinha na relatoria e Mauro Cruz como integrante.

O caso também está sob apuração policial. Uma eventual cassação dependerá das conclusões do procedimento e de votação na Câmara Municipal.

Até o encerramento das investigações, não há decisão definitiva sobre a responsabilidade do parlamentar.

COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR

O JP Jornal O Popular considera indispensável que as imagens sejam investigadas com rigor, independência e transparência.

Nenhum discurso de amor pode substituir provas. Nenhuma justificativa de ciúmes deve ser utilizada para minimizar uma denúncia de violência. E nenhum mandato parlamentar coloca seu ocupante acima do dever de prestar esclarecimentos à sociedade.

O vereador tem todo o direito de apresentar sua versão. Entretanto, atacar mulheres que pedem esclarecimentos não responde à questão central: por que sua companheira aparece imobilizada, reclamando de dor e falta de ar?

A Câmara precisa garantir uma apuração séria, sem condenações antecipadas e sem permitir que o debate seja desviado do que realmente importa: a proteção das mulheres, o esclarecimento dos fatos e a responsabilidade de quem exerce uma função pública.

O QUE ESTÁ EM JULGAMENTO NÃO É UMA DECLARAÇÃO DE AMOR NA TRIBUNA, MAS A CONDUTA DE UM REPRESENTANTE ELEITO PELA POPULAÇÃO.

JP JORNAL O POPULAR – MARÍLIA E REGIÃO

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