CONTAS NO VERMELHO
Prefeitura admite grave desequilíbrio nas contas, anuncia cortes, revisão de despesas e coloca serviços públicos sob alerta
A Prefeitura de Ourinhos decretou estado de calamidade pública financeira após um levantamento técnico apontar um grave desequilíbrio fiscal, financeiro e orçamentário no município.
A medida foi publicada na noite de segunda-feira (13) e expõe oficialmente a dimensão da crise nas contas públicas. Segundo a administração municipal, a situação compromete a capacidade de pagamento da Prefeitura e ameaça a manutenção regular dos serviços oferecidos à população.
O prefeito em exercício, Alexandre Araújo Dauage, afirmou que o decreto é necessário para reorganizar as finanças e evitar a interrupção de áreas essenciais.
Com a calamidade decretada, a Prefeitura poderá adotar medidas emergenciais, como contenção de despesas, revisão de contratos, suspensão de novas contratações, obras e investimentos considerados não prioritários.
Na prática, o município admite que chegou a um ponto crítico: faltam recursos, sobram compromissos e a conta agora recai sobre uma administração já pressionada por uma grave crise política.
SERVIÇOS ESSENCIAIS SERÃO PRESERVADOS
De acordo com o decreto, terão prioridade absoluta os gastos com Saúde, Educação, Assistência Social, Segurança Pública, Limpeza Urbana, medicamentos, transporte escolar, salários dos servidores e cumprimento de decisões judiciais.
A Prefeitura também prometeu divulgar relatórios periódicos com dados sobre receitas, despesas, dívidas e os resultados das medidas de recuperação fiscal.
A promessa de transparência, no entanto, deverá ser acompanhada de respostas objetivas: como as contas chegaram a esse ponto, quem autorizou os gastos e quais contratos serão revistos?
CRISE FINANCEIRA SURGE APÓS AFASTAMENTO DO PREFEITO
O decreto foi publicado poucos dias depois de Alexandre Araújo Dauage assumir o comando da Prefeitura no lugar do prefeito Guilherme Gonçalves, afastado pela Justiça por 90 dias.
O afastamento ocorreu a pedido do Ministério Público de São Paulo, dentro de uma ação civil pública por improbidade administrativa. O processo apura suspeitas de irregularidades na terceirização de atividades da Educação Infantil.
Guilherme Gonçalves ainda não foi condenado, e o afastamento tem caráter cautelar. Mesmo assim, a sequência dos acontecimentos coloca Ourinhos diante de um dos momentos políticos e administrativos mais delicados dos últimos anos.
COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR
Decretar calamidade financeira é admitir publicamente que as contas perderam o controle. A população de Ourinhos tem o direito de saber onde o dinheiro foi gasto, quais decisões provocaram o desequilíbrio e quem será responsabilizado.
Cortar despesas pode ser necessário. Cortar transparência, jamais.
O JP Jornal O Popular seguirá acompanhando o caso, cobrando explicações e fiscalizando cada medida anunciada pela administração municipal.
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