O dia amanheceu quente em Catanduva (SP) — e não foi por causa do clima. Nesta quinta-feira (7), a Polícia Federal bateu na porta de suspeitos de participar de um esquema milionário de desvio de recursos públicos da saúde. Dinheiro que deveria salvar vidas em Bebedouro (SP) teria ido parar no bolso de quem, segundo a investigação, tratava a saúde como um balcão de negócios.
O alvo principal: uma organização social de saúde, o Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi, que geria unidades hospitalares em Bebedouro. Segundo a PF, depois de assumir a gestão, a entidade teria assinado contratos com empresas de fachada — muitas ligadas a seus próprios dirigentes. Para camuflar o rastro, usavam “laranjas” e manobras de maquiagem financeira.
Um dos contratos investigados chega a R$ 13,2 milhões. Dinheiro que deveria comprar remédios, pagar médicos e manter hospitais funcionando, mas que, conforme aponta a investigação, acabou abastecendo o caixa de um grupo criminoso.
Entre os nomes citados está o ex-prefeito de Bebedouro, Fernando Galvão Moura. A defesa afirma que ele nega qualquer envolvimento e que só foi incluído na apuração porque os desvios teriam ocorrido no período em que ele ocupava a prefeitura. “Não tenho ligação com o grupo”, garante o ex-prefeito, segundo seus advogados.
A Justiça Federal de Barretos autorizou buscas em residências e empresas, além do bloqueio de bens e valores. O caso também é investigado pelo Gaeco (Ministério Público de SP), que apura crimes semelhantes ligados a recursos da saúde.
Como diz o ditado: “Onde há fumaça, há fogo” — e, neste caso, o incêndio pode ter consumido muito mais que dinheiro: pode ter custado atendimento, leitos e vidas.
Comentário do JP JORNAL O POPULAR
A saúde pública é um direito constitucional, não um cofre para ser arrombado. Escândalos como este mostram que a corrupção não é apenas um crime contra o erário, mas um atentado direto contra quem mais precisa. Seguiremos acompanhando o caso e cobrando respostas.
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