“SHOWMÍCIO DISFARÇADO”: CAMPANHA DE LULA VAI AO TSE E PEDE CASSAÇÃO E INELEGIBILIDADE DE FLÁVIO BOLSONARO APÓS ATO EM BARRETOS

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Coligação do presidente acusa candidato do PL de abuso de poder econômico e afirma que estrutura da Festa do Peão teria sido usada para impulsionar campanha; TSE ainda não julgou o mérito das acusações

A disputa pelo Palácio do Planalto ganhou mais um capítulo explosivo — desta vez, longe dos palanques e dentro dos tribunais.

A coligação que sustenta a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, acusando a chapa de suposto abuso de poder econômico durante participação na Festa do Peão de Barretos.

A ação foi protocolada no sábado (29) e pede, ao final do processo, a cassação dos registros das candidaturas e a declaração de inelegibilidade por oito anos. A acusação, no entanto, ainda será analisada pela Justiça Eleitoral e não representa uma condenação.

“VERDADEIRO COMÍCIO ELEITORAL”, DIZ CAMPANHA DE LULA

O ponto central da ofensiva jurídica é pesado.

Segundo os advogados da coligação governista, a presença de Flávio no evento teria ultrapassado os limites de uma participação política comum e transformado parte da tradicional festa sertaneja em um “showmício disfarçado”.

A campanha afirma que uma estrutura profissional de som, iluminação e exposição diante de um público estimado em 60 mil pessoas, custeada por empresas e com participação de estruturas públicas ligadas ao evento, teria servido para beneficiar eleitoralmente o candidato do PL.

Em outras palavras: para os aliados de Lula, o que deveria ser arena de rodeio teria virado arena eleitoral.

E é aí que o caldo engrossa.

A acusação sustenta que o eventual aproveitamento eleitoral de uma estrutura financiada por pessoas jurídicas poderia configurar doação indireta de fonte vedada, hipótese proibida pela legislação eleitoral.

TARCÍSIO E DISCURSO DE FLÁVIO ENTRAM NA MIRA

A ação também cita a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo a representação, Tarcísio apresentou Flávio ao público como continuidade do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, discursou sobre agronegócio, família e religião e afirmou que voltaria ao evento como presidente da República.

O locutor Cuiabano Lima também é mencionado na ação. A campanha de Lula argumenta que a apresentação do candidato, acompanhada de efeitos de iluminação e interação com a plateia, teria reforçado o caráter eleitoral do momento.

Para os advogados da coligação, não teria ocorrido uma simples manifestação espontânea do público, mas um ato previamente organizado dentro da programação.

GUERRA ELEITORAL JÁ CHEGOU AO TSE

O confronto jurídico, porém, não corre em mão única.

Poucos dias antes, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia acionado o TSE contra Lula, questionando o suposto uso eleitoral do Palácio da Alvorada pelo presidente.

Ou seja: enquanto candidatos disputam votos nas ruas, suas equipes jurídicas travam uma eleição paralela nos tribunais.

De um lado, Lula acusa o adversário de transformar uma das maiores festas populares do país em palco eleitoral patrocinado. Do outro, Flávio também questiona atos do presidente e candidato à reeleição.

A campanha eleitoral mal entrou em sua fase mais intensa e a temperatura já está nas alturas.

TSE TERÁ A PALAVRA FINAL

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral está sob responsabilidade do corregedor-geral eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira.

Além das punições eleitorais, a coligação pede produção de provas e informações sobre organização, patrocínios, custos, público e participação dos envolvidos no evento. O Ministério Público Eleitoral também poderá atuar no processo.

Até a publicação das reportagens consultadas, a assessoria de Flávio Bolsonaro não havia apresentado resposta às acusações encaminhadas pela imprensa.

Agora, como diz o velho ditado, cada macaco no seu galho: campanha faz campanha, advogado apresenta argumento e cabe à Justiça decidir se houve irregularidade.

O que não há dúvida é que Barretos, conhecida mundialmente pelo rodeio, entrou definitivamente no centro da arena política nacional.

COMENTÁRIO — JP JORNAL O POPULAR

A eleição de 2026 mostra que cada palco poderá virar uma trincheira política — e cada frase, uma possível peça jurídica.

O pedido contra Flávio Bolsonaro é grave, mas precisa ser tratado exatamente como determina o bom jornalismo: há uma acusação apresentada pela campanha de Lula, não uma condenação do TSE.

Em tempos de polarização, informação séria exige separar torcida de notícia. O mesmo rigor que deve valer para Flávio Bolsonaro precisa valer para Lula ou qualquer outro candidato.

Quem acusa deve provar. Quem é acusado tem direito de defesa. E quem decide é a Justiça Eleitoral.

O JP Jornal O Popular seguirá acompanhando os desdobramentos deste caso, levando ao leitor informação, contexto e os dois lados da disputa.

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