“O dinheiro do trabalhador está virando lucro das bets”, alerta Marcos Custódio ao criticar avanço das apostas online

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Vereador se posiciona contra a jogatina digital e afirma que as bets estão empobrecendo famílias, atingindo jovens, adultos e trabalhadores que veem o suor do mês escorrer pela tela do celular

O avanço das apostas online no Brasil acendeu um sinal vermelho também em Marília. Em entrevista ao JP Jornal O Popular, o vereador Marcos Custódio fez duras críticas ao crescimento das chamadas bets, plataformas de apostas esportivas e jogos virtuais que, segundo ele, estão entrando dentro das casas, destruindo orçamentos familiares e criando uma geração refém da ilusão do dinheiro fácil.

Para o parlamentar, o tema deixou de ser apenas uma discussão econômica e passou a ser um problema social, familiar e de saúde pública.

“Sou extremamente contra esse tipo de jogatina. As bets estão empobrecendo famílias brasileiras e enriquecendo grupos estrangeiros. Muita gente está perdendo o dinheiro do mercado, da conta de luz, do aluguel e até o suor do trabalho acreditando em uma promessa que quase nunca se cumpre”, afirmou Marcos Custódio ao JP.

Os números mostram o tamanho da preocupação. O mercado regulado de apostas no Brasil registrou cerca de R$ 37 bilhões de receita bruta em 2025. Já no primeiro quadrimestre de 2026, a receita das empresas licenciadas chegou a aproximadamente R$ 12,2 bilhões, o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

Na avaliação de Marcos Custódio, por trás desses bilhões existe uma conta amarga sendo paga por famílias comuns. O vereador afirma que o jogo online tem atingido pessoas de diferentes idades, especialmente jovens e adultos, e provocado pressão psicológica, endividamento, brigas familiares, separações e, em casos extremos, tragédias.

“O jogo é viciante. Começa com pouco, depois vira desespero. A pessoa perde, tenta recuperar, perde de novo e entra em um buraco. É aquele velho ditado: o barato sai caro. Só que, nesse caso, o preço pode ser a paz da família”, destacou.

Custódio também chama atenção para a facilidade de acesso. Com poucos cliques, qualquer pessoa entra em uma plataforma, faz depósito pelo celular e passa a apostar sem perceber o tamanho do risco. Segundo ele, a publicidade agressiva e a falsa imagem de ganho rápido acabam fisgando principalmente quem já vive apertado financeiramente.

“Quem está com dificuldade muitas vezes aposta achando que vai resolver a vida. Mas a realidade é outra. A casa sempre joga com vantagem. O trabalhador não pode virar combustível para uma máquina bilionária de ilusão”, completou o vereador.

Para Marcos Custódio, é preciso ampliar o debate, reforçar campanhas de conscientização e tratar o assunto com responsabilidade. Ele defende que escolas, famílias, igrejas, entidades e poder público discutam os impactos das bets de forma direta, sem romantizar a jogatina digital.

A preocupação não é pequena. O crescimento das apostas online ocorre justamente em um momento em que muitas famílias brasileiras enfrentam endividamento, dificuldade para fechar as contas e pressão emocional. Para o vereador, fechar os olhos para esse problema é deixar a raposa tomando conta do galinheiro.

Comentário do JP Jornal O Popular

O JP Jornal O Popular entende que o debate levantado pelo vereador Marcos Custódio é necessário e urgente. Quando bilhões circulam nas plataformas de apostas, mas falta dinheiro na mesa de muitas famílias, alguma coisa precisa ser discutida com seriedade.

A tecnologia pode facilitar a vida, mas também pode abrir portas perigosas quando usada para explorar a vulnerabilidade das pessoas. O alerta está dado: jogo não pode ser tratado como solução financeira. Para muita gente, ele tem sido o começo de uma grande dor de cabeça.

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