Renato Purini, ex-secretário municipal de Governo, é investigado por suspeitas de corrupção, pagamento de propina e articulação política para favorecer empresa na concessão dos serviços de lixo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido de habeas corpus de Renato Purini, marido da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), e manteve sua prisão preventiva. Ele foi detido na sexta-feira (16), durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Ministério Público.
A decisão foi assinada no sábado (17) pelo desembargador Luiz Fernando Vaggione. Purini, que ocupava o cargo de secretário municipal de Governo, foi preso na residência onde mora com a prefeita, em um condomínio de alto padrão. Após a operação, Suéllen determinou sua exoneração. A prefeita não é alvo desta fase da investigação.
O ex-secretário é investigado por suspeitas de participação em organização criminosa, corrupção, falsidade documental e fraude em licitações relacionadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos de Bauru, contrato estimado em R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos.
Mensagens revelam suspeitas de propina e pressão sobre vereadores
Segundo o Gaeco, mensagens e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça apontam que Purini teria utilizado sua influência política para favorecer a empresa Estre Ambiental e pressionar vereadores pela aprovação do projeto.
As investigações identificaram uma nota fiscal de R$ 750 mil, emitida pela empresa para o escritório do advogado Marcos Libanore Caldeira. O Ministério Público suspeita que pagamentos apresentados como honorários advocatícios fossem repassados ao ex-secretário. Em outra conversa, Purini teria cobrado mais R$ 90 mil.
Os investigadores também apontam a participação da ex-secretária municipal de Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, nas articulações com executivos da empresa.
Durante a tramitação do projeto, em dezembro de 2025, Purini teria relatado reuniões com nove vereadores e pressões para acelerar a votação na Câmara Municipal. Mensagens também mencionam a vereadora Estela Almagro (PT), que não havia se manifestado sobre as referências ao seu nome até a publicação da reportagem original.
Prisão mantida e investigação continua
A defesa de Purini alegou falta de fundamentação para a prisão preventiva e pediu a aplicação de medidas cautelares alternativas. O TJ-SP, entretanto, considerou os elementos apresentados suficientes para manter a medida.
O ex-secretário foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Bauru.
A Operação Cavalo de Troia teve origem em denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis. O avanço das investigações revelou suspeitas de irregularidades envolvendo integrantes da administração municipal e representantes de empresas.
Outros ex-secretários e funcionários da Estre Ambiental também foram presos em fases anteriores. Entre eles estão Cilene Bordezan, Vitor João de Freitas Costa, Sara Moura de Jesus, Hamilton Libório Agle e Talita de Andrade Soares Chieregatti, esta última em prisão domiciliar.
As investigações continuam, com a análise de documentos, mensagens e possíveis pagamentos irregulares. Os envolvidos são investigados e têm direito à presunção de inocência.
COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR
A investigação em Bauru evidencia a importância da fiscalização sobre contratos públicos bilionários. Diante da dimensão dos valores envolvidos e das suspeitas levantadas, a sociedade tem o direito de acompanhar os desdobramentos com transparência. A apuração rigorosa dos fatos, o respeito ao devido processo legal e a responsabilização de eventuais envolvidos são fundamentais para preservar a confiança nas instituições.
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