ESCÂNDALO DO LIXO DE R$ 5,2 BILHÕES: EX-SECRETÁRIAS E EMPRESÁRIOS SÃO TRANSFERIDOS PARA PRESÍDIOS; INVESTIGAÇÃO AMPLIA CRISE POLÍTICA EM BAURU

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Operação Cavalo de Troia investiga suspeitas de corrupção e direcionamento da maior licitação da história do município. Justiça decretou prisão preventiva de seis investigados, enquanto a prefeita Suéllen Rosim enfrenta questionamentos na Câmara Municipal.

A investigação sobre uma licitação de R$ 5,2 bilhões para a gestão do lixo em Bauru ganhou novos desdobramentos. Quatro investigados presos na Operação Cavalo de Troia foram transferidos para unidades prisionais do Estado de São Paulo, após a Justiça decretar a prisão preventiva de seis envolvidos no caso.

Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, as ex-integrantes da Secretaria do Meio Ambiente Cilene Bordezan e Sara Moura de Jesus foram encaminhadas à Penitenciária Feminina de Pirajuí.

O empresário Hamilton Libório Agle, proprietário e CEO da Estre Ambiental, foi transferido para o CDP II de Osasco. Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa, foi levada à Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na capital paulista.

O ex-secretário de Negócios Jurídicos Vítor João de Freitas Costa permanecia na Cadeia Pública de Avaí até a última atualização da Secretaria. Já o consultor Mário Luiz Silvério, que também teve a prisão preventiva decretada, é considerado foragido.

LICITAÇÃO BILIONÁRIA E SUSPEITAS DENTRO DA PREFEITURA

A investigação conduzida pelo Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, apura suspeitas de fraude licitatória, corrupção e associação criminosa envolvendo agentes públicos e representantes empresariais.

O contrato investigado previa a concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos por 30 anos, com valor estimado em R$ 5,259 bilhões. O procedimento foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado após questionamentos sobre irregularidades.

Segundo o Ministério Público, integrantes da administração municipal teriam utilizado suas posições para favorecer interesses privados na estruturação da concorrência.

PREFEITA É CITADA EM PEDIDO AO STF

A repercussão chegou ao Supremo Tribunal Federal. A defesa do empresário Hamilton Agle solicitou que a prefeita Suéllen Rosim (PSD) fosse investigada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, argumentando que ela assinou documentos e nomeou integrantes da administração citados na investigação.

O ministro Dias Toffoli negou o pedido nos termos apresentados. A defesa da prefeita afirma que Suéllen não tem envolvimento nos fatos investigados.

Na Câmara Municipal, uma Comissão Processante foi instaurada para apurar questões relacionadas à administração municipal.

COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR

Uma contratação pública superior a R$ 5 bilhões exige transparência, fiscalização e respostas à população. A investigação deverá esclarecer as responsabilidades individuais e eventuais prejuízos ao município, com respeito ao direito de defesa dos envolvidos. O interesse público precisa permanecer no centro desse debate.

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