Polícia Civil identificou dois homens, uma mulher e uma adolescente como suspeitos do ataque ocorrido em Itatinga. Vítima teria sido agredida com chutes e pedaços de madeira, além de sofrer ameaças e ofensas preconceituosas.
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o espancamento de uma mulher trans de 33 anos, ocorrido na madrugada de 11 de julho, em Itatinga, no interior de São Paulo.
Dois homens, de 18 e 20 anos, e uma mulher, de 24, foram indiciados por tentativa de homicídio. Uma adolescente de 16 anos também foi identificada como participante das agressões e teve o caso encaminhado conforme as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Até a última atualização, nenhum dos investigados havia sido preso ou apreendido.
Segundo a Polícia Civil, a vítima foi atacada com chutes e golpes desferidos com pedaços de madeira. O relatório final também aponta que ela teria recebido ameaças de morte e sido alvo de ofensas relacionadas à sua orientação sexual e à religião que pratica.
Além da tentativa de homicídio, os três adultos foram indiciados por injúria qualificada pelo preconceito relacionado à orientação sexual e por intolerância religiosa. O indiciamento representa a conclusão da investigação policial, cabendo agora à Justiça avaliar as provas e a responsabilidade de cada investigado.
DISCUSSÃO TERIA COMEÇADO POR CAUSA DE UMA CERVEJA
De acordo com as investigações, a vítima estava acompanhada de amigos em uma pista de skate após deixar um evento. Em depoimento, ela relatou que um homem desconhecido retirou, sem autorização, uma cerveja de um fardo que estava com o grupo.
Após a reclamação, outro suspeito teria afirmado que também pegaria uma bebida. O desentendimento evoluiu para uma briga e, na sequência, outros integrantes do grupo teriam passado a agredir a mulher.
Durante o espancamento, conforme o depoimento prestado à polícia, os suspeitos teriam feito ameaças de morte e proferido ofensas de caráter homofóbico.
A vítima também afirmou que duas guias religiosas utilizadas em sua prática de quimbanda foram quebradas propositalmente. Um dos envolvidos ainda teria feito comentários preconceituosos contra sua religião.
TESTEMUNHA INTERROMPEU AS AGRESSÕES
Ainda segundo o relato da vítima, o ataque somente terminou após a intervenção de uma testemunha.
Essa pessoa teria impedido que um dos suspeitos atingisse a cabeça da mulher com um pedaço de madeira, circunstância considerada relevante para o indiciamento por tentativa de homicídio.
O caso foi investigado pela Polícia Civil de Itatinga, com apoio do Setor de Operações Especiais da delegacia do município. Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados à Justiça.
COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR
A violência descrita no inquérito é grave e exige uma resposta firme das instituições. Nenhuma divergência justifica espancamento, ameaça de morte ou ataques motivados por preconceito contra a identidade, a orientação sexual ou a religião de uma pessoa.
Ao mesmo tempo, o processo legal deverá garantir a apuração individualizada das condutas, o direito de defesa dos investigados e a responsabilização daqueles que forem considerados culpados pela Justiça.
O JP Jornal O Popular seguirá acompanhando o caso e defendendo uma sociedade em que o respeito à vida e à dignidade humana esteja acima de qualquer forma de intolerância.
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