A Justiça de Marília deu um passo decisivo em um dos episódios mais graves do sistema prisional paulista. Foi aceita a denúncia do Ministério Público contra o detento Leandro Inácio da Silva, acusado de provocar o incêndio que matou oito presos na Penitenciária de Marília, em 25 de novembro de 2025. Com isso, ele se torna réu por homicídio triplamente qualificado.
Segundo a acusação, o fogo foi intencional. O preso, que estava no setor de inclusão, teria ateado fogo em um pedaço de colchão no almoxarifado, gerando grande quantidade de fumaça tóxica. Detentos presos nas celas não conseguiram escapar e morreram por inalação da fumaça, conforme laudos periciais.
O saldo é pesado: oito mortos — sete no dia do incêndio e um quatro dias depois, após internação — além de 12 feridos, entre eles cinco policiais penais. O réu responderá por homicídio qualificado pelo uso de fogo, criação de perigo comum e dificuldade de defesa das vítimas. A Justiça também determinou o arquivamento das investigações contra outros presos e agentes penitenciários, por falta de indícios.
O dia da tragédia
O incêndio começou por volta das 17h, quando o detento teria incendiado os próprios pertences, por “motivos de indisciplina”, segundo o registro policial. Agentes penitenciários iniciaram o combate às chamas até a chegada do Corpo de Bombeiros e do Samu, com apoio do Baep e da Força Tática. A fumaça se espalhou rapidamente pela unidade.
As vítimas fatais identificadas são:
- Doildo Diego Pires (35)
- Wallace Ferreira dos Reis (22)
- Charles Andrey Souto Silva (44)
- Wender Felipe Maciel (25)
- Matheus Gregorio da Silva (22)
- Caio Vinicius Oliveira (25)
- Thiago Nascimento de Oliveira (25)
A oitava vítima, morta em 29 de novembro, não teve a identidade divulgada pela SAP.
Sistema sob pressão
A SAP informou que abriu procedimento interno e presta apoio às famílias. A Prefeitura de Marília destacou o reforço emergencial no atendimento aos feridos. Já o Sindicato dos Policiais Penais alertou que a unidade opera acima da lotação, aumentando riscos estruturais — um ponto ainda sem conclusão pericial.
O detento acusado segue internado sob escolta e será transferido ao sistema prisional após alta médica, para responder à ação penal.
Comentário do JP Jornal O Popular
Não foi acidente. Foi crime — e o processo agora confirma isso. Mas a pergunta que fica é incômoda: quantas mortes são necessárias para que o sistema deixe de funcionar no limite? Justiça é punir o responsável. Responsabilidade pública é impedir que a próxima fumaça mate de novo.
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