“A GENTE SUPERA, MAS A CICATRIZ PERMANECE”: Vânia Ramos emociona Câmara ao revelar violência doméstica na família, defende mulheres e vota a favor de comissão contra Féfin

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Em discurso marcado pela emoção, vereadora relembrou traumas da infância, defendeu vítimas de violência e votou a favor da abertura de Comissão Processante contra Féfin.

A vereadora Vânia Ramos protagonizou um dos momentos mais emocionantes da sessão da Câmara Municipal de Marília, nesta segunda-feira (26). Durante pronunciamento no pequeno expediente, a parlamentar revelou que, ainda criança, presenciou a própria mãe ser vítima de violência doméstica. O relato ocorreu na mesma sessão em que os vereadores aprovaram, por unanimidade, a abertura de uma Comissão Processante contra o vereador Osvaldo Júnior Féfin (União).

Ao subir à tribuna, Vânia demonstrou tristeza diante dos acontecimentos discutidos no Legislativo e fez uma defesa firme da proteção às mulheres. O pronunciamento ganhou um caráter pessoal quando a vereadora relembrou uma criança que, aos dois anos de idade, assistia às agressões sofridas pela mãe sem conseguir reagir.

“Essa garotinha sou eu. Essa garota sou eu. Minha mãe foi vítima de violência doméstica”, revelou.

A declaração trouxe à tribuna uma experiência que, segundo a parlamentar, deixou marcas profundas em sua vida. Vânia contou que sua mãe conseguiu superar a situação e se separou de seu pai, mas destacou que as consequências emocionais permaneceram.

“A cicatriz permanece. A cicatriz é pra vida inteira”, afirmou.

Mãe de duas filhas, de 18 e 16 anos, a vereadora também falou sobre o desejo de que nenhuma mulher precise enfrentar situações semelhantes. Ela defendeu o fortalecimento das redes de proteção, o acolhimento às vítimas e a ampliação das políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica.

“O silêncio não pode proteger o agressor. O medo não pode impedir essa vítima de pedir ajuda”, declarou.

Voto favorável à Comissão Processante

O pronunciamento ocorreu em uma sessão de grande repercussão política. A Câmara aprovou, por unanimidade, a abertura de uma Comissão Processante contra o vereador Osvaldo Júnior Féfin, em meio à controvérsia envolvendo um vídeo no qual ele supostamente aparece agredindo a namorada.

Vânia Ramos votou favoravelmente à abertura da comissão, reforçando sua posição em defesa das mulheres e da necessidade de apuração dos fatos.

A instalação da Comissão Processante não representa condenação nem comprovação das acusações. O procedimento permitirá a apuração dos acontecimentos, assegurados o contraditório e o direito de defesa.

Ao encerrar sua manifestação, Vânia deixou uma mensagem direcionada às mulheres que enfrentam situações de violência: “Vocês não estão sozinhas.”

Mais do que uma manifestação política, o discurso levou ao plenário uma experiência pessoal de sofrimento e superação, colocando a proteção das mulheres no centro do debate público.

COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR

O pronunciamento de Vânia Ramos merece destaque pela coragem de transformar uma lembrança dolorosa da infância em uma manifestação pública de defesa das mulheres.

Ao revelar a violência presenciada dentro da própria família, a vereadora demonstrou que as consequências das agressões não atingem apenas as vítimas diretas, mas também os filhos que crescem convivendo com o medo.

A abertura da Comissão Processante exige apuração responsável, respeito ao direito de defesa e transparência. Já o combate à violência doméstica exige algo permanente: compromisso das autoridades e proteção efetiva às vítimas.

Nenhuma mulher deve viver com medo, e nenhuma criança deveria carregar as marcas da violência dentro de casa.

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