Declaração apresentada à Câmara Municipal nega violência, mas imagens de imobilização e mensagens atribuídas à mulher relatando agressões levantam dúvidas sobre as versões. Polícia Civil e órgãos de proteção à mulher devem investigar os fatos e verificar se houve alguma forma de pressão ou intimidação.
O caso envolvendo o vereador Júnior Féfin (União Brasil) ganhou um novo capítulo e levanta questionamentos sobre as circunstâncias em que sua companheira passou a defendê-lo publicamente, apesar da existência de um vídeo no qual aparece sendo imobilizada pelo parlamentar e de mensagens atribuídas a ela que relatam supostas agressões.
O JP Jornal O Popular teve acesso a uma declaração datada de 20 de outubro de 2026, encaminhada à Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Marília e atribuída à companheira do vereador. No documento, ela nega episódios de agressão no relacionamento e contesta a interpretação das imagens divulgadas pela imprensa.
A mulher descreve Féfin como um homem íntegro, afirma que o casal mantém uma vida estável e considera injustas as acusações dirigidas ao parlamentar.
Entretanto, as imagens que vieram a público mostram uma situação que exige esclarecimentos. No vídeo, o vereador aparece imobilizando a companheira com as pernas sobre a região do pescoço, enquanto ela reclama de sufocamento e dores nos braços.
MENSAGENS RELATAM POSSÍVEIS AGRESSÕES
O JP Jornal O Popular também teve acesso a registros de mensagens atribuídas à companheira do vereador, nas quais aparecem relatos que contrastam com a declaração apresentada ao Legislativo.
Em uma das conversas, a interlocutora afirma: “Ele me bateu novamente”.
Em outro trecho, relata: “Ele me pegou pelo pescoço”.

As mensagens mencionam possíveis episódios de violência física e preocupação com a integridade da mulher. Entretanto, os registros, isoladamente, não permitem confirmar sua autenticidade integral, as circunstâncias dos fatos ou se os relatos correspondem a episódios distintos.
POR QUE AS VERSÕES SÃO TÃO DIFERENTES?
A existência de versões divergentes levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos.
O que explica a diferença entre os relatos privados de supostas agressões e a declaração encaminhada à Câmara? A manifestação ocorreu de maneira espontânea? A companheira sofreu alguma influência ou pressão para defender publicamente o parlamentar?
Outro ponto que chama a atenção é a mudança aparente de posicionamento diante da gravidade das situações descritas nas mensagens atribuídas à mulher.
A declaração apresentada ao Legislativo contém reconhecimento de firma em cartório. No entanto, esse procedimento não comprova a veracidade do conteúdo nem esclarece as circunstâncias em que o documento foi produzido.
É importante ressaltar que, até o momento, não existem elementos suficientes para afirmar que a mulher tenha sido pressionada a assinar a declaração. A divergência entre os materiais, contudo, justifica uma apuração cuidadosa e independente.
CÂMARA VOTA ABERTURA DE PROCESSO QUE PODE CASSAR MANDATO
A Câmara Municipal de Marília confirmou que o pedido de abertura de Comissão Processante contra o vereador Osvaldo Féfin Júnior, conhecido como agente Féfin, será analisado na sessão da próxima segunda-feira, 26 de outubro.
A representação foi protocolada por mulheres integrantes do Comitê de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher de Marília, após a repercussão do vídeo divulgado nas redes sociais.
O pedido busca apurar possível quebra de decoro parlamentar e pode resultar na cassação do mandato.
Para a abertura da Comissão Processante, é necessária maioria simples dos vereadores presentes. Com os 17 parlamentares em plenário, são necessários nove votos favoráveis.
Caso seja instaurada, a comissão terá prazo de até 90 dias para investigar os fatos e apresentar relatório conclusivo. Uma eventual cassação dependerá de nova votação e do quórum legalmente exigido.
Féfin está impedido de votar sobre a própria denúncia, e seu suplente, Fernandão do Guincho, deverá ser convocado.
O caso também é objeto de investigação policial, conforme informações divulgadas pela imprensa.
O parlamentar e sua companheira têm direito à manifestação e à ampla defesa, enquanto as autoridades deverão esclarecer os acontecimentos com base nas provas reunidas.
COMENTÁRIO DO JP JORNAL O POPULAR
O que aconteceu naquele relacionamento e por que existem versões tão diferentes sobre episódios de possível violência?
O vídeo divulgado merece uma investigação rigorosa. As mensagens atribuídas à companheira também precisam ser examinadas, assim como as circunstâncias da declaração apresentada à Câmara.
É legítimo perguntar se a manifestação foi inteiramente espontânea. Entretanto, qualquer suspeita de pressão precisa ser demonstrada por provas, sem conclusões antecipadas.
O JP Jornal O Popular defende que nenhuma denúncia de violência contra a mulher seja ignorada e que nenhuma pessoa seja condenada sem o devido processo legal.
A população de Marília merece respostas claras. Cabe às autoridades investigar, proteger os envolvidos e esclarecer os fatos com independência.
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