Discurso de valorização dos candidatos locais coloca Fabiana e Abelardo Camarinha diante de uma cobrança simples: a mesma régua usada contra os chamados “paraquedistas” vale para todos?
MARÍLIA — O discurso é conhecido: Marília precisa valorizar seus candidatos e evitar políticos que aparecem na cidade apenas em período eleitoral.
Mas quando essa cobrança parte de lideranças políticas tradicionais, surge uma pergunta inevitável:
Afinal, onde Abelardo Camarinha vota hoje: em Marília, em Barueri ou não está apto a votar?
O JP Jornal O Popular não localizou, até o momento, documento público oficial que permita afirmar qual é atualmente o domicílio eleitoral do ex-prefeito. O próprio TSE explica que domicílio eleitoral e local de votação são informações específicas da situação cadastral de cada eleitor.
A dúvida ganha peso porque Abelardo e sua esposa, a vereadora Fabiana Camarinha, mantêm forte atuação na política mariliense.
Fabiana confirmou publicamente sua pré-candidatura a deputada estadual em março. Meses depois, deixou a disputa.
Ela tinha colocado seu nome como opção para representar Marília, mas o projeto não chegou até as urnas.
A mudança é legítima. A cobrança também.
PARAQUEDISTA SÓ QUANDO É ADVERSÁRIO?
Outro ponto merece resposta.
Se a defesa é para que Marília não entregue votos a candidatos de fora, o critério deveria valer inclusive para candidatos apoiados pelo próprio grupo.
Caso Fabiana ou Abelardo apoiem políticos cuja principal base eleitoral esteja fora de Marília, é natural perguntar:
Esse candidato tem presença na cidade? Trouxe recursos? Trabalhou por Marília? Esteve aqui durante a campanha ou sequer apareceu para pedir votos?
Apoiar alguém de outro município não é irregular. O problema político surge quando o candidato de fora é chamado de “paraquedista” apenas quando está do outro lado.
Se está com os adversários, é de fora.
Se está com os aliados, vira parceiro?
Essa é a incoerência que o eleitor pode cobrar.
COMENTÁRIO — JP JORNAL O POPULAR
Marília merece uma regra só.
Se a bandeira é defender candidatos da cidade, ela precisa valer para aliados e adversários.
E a pergunta continua sem resposta pública clara:
Abelardo Camarinha vota em Marília, em Barueri ou não vota?
Da mesma forma, se existem apoios a candidatos de fora, é justo mostrar o que essas alianças efetivamente trouxeram para o município.
Porque uma coisa é defender Marília no discurso.
Outra é manter a mesma posição quando o interesse político bate à própria porta.
O espaço do JP Jornal O Popular permanece aberto para manifestação de Fabiana Camarinha e Abelardo Camarinha.
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