Após prisões no caso do lixo, Câmara abre processo que pode cassar prefeita Suéllen Rosim em Bauru

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Comissão Processante foi aprovada com apenas um voto contrário; prefeita é acusada na denúncia de omissão e negligência, mas Ministério Público afirma que ela não é alvo da investigação criminal

A crise política em Bauru ganhou um novo e decisivo capítulo. A Câmara Municipal aprovou nesta segunda-feira (14) a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra a prefeita Suéllen Rosim (PSD), procedimento que poderá resultar na cassação de seu mandato.

A decisão ocorre poucos dias depois da Operação Cavalo de Troia, investigação do Ministério Público e do Gaeco sobre suspeitas de fraude na licitação da gestão integrada do lixo, negócio estimado em R$ 5,2 bilhões e apontado como a maior contratação pública da história do município.

O pedido de abertura da Comissão Processante foi apresentado pelo vereador Eduardo Borgo (Novo) e recebeu apenas um voto contrário, do vereador Sandro Bussola (MDB).

A denúncia levada ao Legislativo aponta suposta negligência e omissão da prefeita na fiscalização de atos da administração, além de descumprimento de requisições de documentos encaminhadas pela Câmara e possível omissão na defesa dos interesses do município.

Prisões ampliaram pressão sobre o governo

A Operação Cavalo de Troia levou à prisão de sete pessoas, entre elas integrantes e ex-integrantes da administração municipal. Foram presos Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário de Negócios Jurídicos; Cilene Chabuh Bordezan, ex-secretária do Meio Ambiente; e Sara Moura de Jesus, ex-secretária-adjunta da pasta.

Também foram presos Gisele Moretti, ex-presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru; o empresário Valdomiro Pereira da Silva Filho; Hamilton Libório Agle, proprietário da Estre Ambiental; e Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa.

A Justiça ainda determinou o afastamento do coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente, Roldão Neto. Os servidores municipais citados deixaram seus cargos.

Segundo o Ministério Público, são investigados possíveis crimes de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa. A licitação, que previa contrato de 30 anos, acabou suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo após questionamentos sobre possíveis irregularidades.

Nome de Suéllen aparece em conversas, mas MP diz que prefeita não é investigada

O nome da prefeita aparece em conversas telefônicas interceptadas entre investigados. Em um dos diálogos, há menções a um suposto presente que seria entregue a Suéllen.

Apesar da repercussão das gravações, o próprio Ministério Público registra que a prefeita não é alvo da investigação criminal e que seu nome aparece pontualmente em diálogos mantidos exclusivamente por terceiros.

Suéllen Rosim afirmou que não cabe a ela interpretar declarações feitas em uma conversa da qual não participou. A prefeita também sustenta que não existe nos autos indicação de recebimento de vantagem econômica ou elemento que a envolva diretamente nas irregularidades investigadas.

A Prefeitura informou que está colaborando com as autoridades, promoveu exonerações após a operação e instaurou procedimentos administrativos internos para apuração dos fatos.

Agora, a abertura da Comissão Processante coloca a administração municipal sob uma segunda frente de pressão. Independentemente da investigação criminal conduzida pelo Ministério Público, caberá à Câmara analisar as acusações políticas e administrativas apresentadas contra a chefe do Executivo.

Comentário do JP Jornal O Popular

A abertura de uma Comissão Processante contra uma prefeita é uma medida de enorme gravidade institucional e precisa ser acompanhada com transparência, responsabilidade e respeito ao direito de defesa. As denúncias envolvendo uma contratação bilionária exigem respostas claras. Ao mesmo tempo, é fundamental separar fatos comprovados, suspeitas e responsabilidades individuais. Até o momento, o Ministério Público afirma que Suéllen Rosim não é alvo da investigação criminal. A partir de agora, será a Câmara quem terá de demonstrar, com fatos e documentos, se existem elementos para responsabilização política da prefeita.

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