“A toga falou mais alto que o mandato”: vereador de Bofete é preso após condenação por estupro de três menores

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BOFETE (SP) — A prisão de um vereador no exercício do mandato expõe uma ferida profunda na política local e reacende o debate sobre responsabilidade pública, proteção de crianças e adolescentes e o alcance da Justiça. Na noite desta terça-feira (10), a Polícia Civil prendeu Benedito Aleixo da Silva (Republicanos), condenado em primeira instância a 29 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de estupro de vulnerável contra três menores.

A ordem judicial foi cumprida na residência do parlamentar, no município de Bofete. A sentença foi proferida em 31 de janeiro e descreve crimes cometidos em dois períodos distintos, o que agravou a pena.

Crimes atingem três vítimas menores

De acordo com a decisão judicial, Benedito praticou atos libidinosos contra:

  • uma criança de 10 anos e uma adolescente de 14, em 2013;
  • uma terceira vítima, de 13 anos, em 2019.

O conjunto das condenações resultou na pena inicial de 29 anos de prisão, evidenciando a gravidade e a reiteração dos crimes, conforme apontado na sentença.

Defesa recorre; divergência sobre tramitação no STJ

A defesa informou que assumiu o caso após a condenação e que interpôs recurso, alegando redução da pena para 22 anos e um mês de reclusão. Também declarou que o processo foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio de recurso especial.

Procurado, o STJ informou não localizar processos envolvendo o nome do vereador em seu sistema até o momento. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) afirmou que não pode divulgar detalhes, pois o caso tramita em segredo de Justiça, condição comum em processos que envolvem vítimas menores.

Vereador segue preso

Após a prisão, Benedito foi encaminhado à Cadeia Pública de Itatinga, onde permanece detido à disposição da Justiça. A ação foi conduzida pela Polícia Civil.

Segundo condenado teve pena extinta

O processo também resultou na condenação de Silvio Montovanelli Pedroso, pelos mesmos crimes contra as mesmas vítimas. No entanto, a punibilidade foi extinta em razão de seu falecimento, em 2024, conforme previsto em lei.


Mandato sob sombra e impacto político

A prisão de um agente político eleito por crimes dessa natureza provoca repercussão imediata na cidade e na região. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que casos assim abalam a confiança pública e reforçam a necessidade de rigor institucional, tanto na prevenção quanto na apuração de denúncias envolvendo autoridades.

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Comentário do JP Jornal O Popular

Não se trata de política, mas de Justiça. Quando um mandato é ofuscado por crimes contra menores, o debate deixa o campo partidário e entra no terreno da responsabilidade moral e institucional. O JP Jornal O Popular seguirá acompanhando o caso com rigor, sobriedade e respeito às vítimas, porque jornalismo sério não relativiza fatos — esclarece.

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