“Quando o mel é público, a colmeia cresce”: bastidores levantam questionamentos sobre cargos e salários ligados à família de vereador Burcão
Marília e Região — Jornalismo é pergunta, é confronto de versões e, sobretudo, cobrança pública. Quando o discurso não fecha com os fatos, o papel da imprensa é apertar onde dói. E é exatamente isso que o JP Jornal O Popular faz agora.
O vereador Burcão, que se apresenta como “independente”, passou a ser questionado por uma cadeia de nomeações e salários que envolvem familiares diretos e vínculos com o grupo político da gestão passada — justamente a mesma gestão que ele diz combater no discurso, mas que aparece nos bastidores como porta de entrada dessas nomeações.
Linha do tempo que incomoda
Os registros indicam que o tio Aristeu Reis permaneceu no cargo até setembro de 2025. No mês seguinte, outubro de 2025, quem assume é Tamires Fernanda da Rocha, esposa do vereador. Em paralelo, surge a cunhada Flávia Karan Barbosa dos Reis, esposa do irmão do vereador, também vinculada à estrutura pública.
Não é coincidência. É sequência. E sequência, em política, pede explicação.
Perfis profissionais x cargos públicos
Nas redes sociais:
- Tamires se identifica como profissional da beleza (cabeleireira);
- Flávia se apresenta como profissional de agência de marketing.
A pergunta que ecoa é objetiva: os cargos ocupados guardam relação técnica direta com essas formações? Se sim, quais critérios foram utilizados? Se não, por que essas escolhas?
Salários e benefícios: o ponto sensível
Os valores divulgados chamam atenção:
- Tamires: R$ 3.754,12, além de benefícios;
- Flávia: R$ 11.317,25, além de benefícios.
Somam-se ainda gratificação natalina, abono de permanência, auxílio-alimentação, transporte, auxílio-creche, diárias, férias e outras verbas indenizatórias. Tudo dentro da lei? Pode ser. Transparente? Ainda não está claro.
Como diz o ditado: “Dinheiro público não aceita conversa mole.”
A contradição política
O vereador bate diariamente na atual gestão, usando tom agressivo e acusatório. Mas nos bastidores, cresce a leitura de que essa postura seria menos fiscalização e mais ressentimento — resultado de uma prefeitura herdada com problemas da gestão anterior, a mesma à qual familiares do vereador estariam ligados por cargos e relações políticas.
A suspeita se intensifica diante das ligações com o ex-prefeito Daniel Alonso, sua filha deputada estadual e o genro Capitão Augusto, deputado federal. Independência, nesse cenário, vira palavra vazia.
“Quem fala grosso para o microfone precisa falar fino para os fatos.”
O que Marília quer saber — sem rodeios
- Quem indicou cada nome?
- Quais critérios técnicos justificam as nomeações?
- Por que familiares em sequência?
- Onde termina o discurso de independência e começa a prática de grupo?
Silêncio, aqui, não ajuda. Ataque sem resposta não convence.
Comentário do JP Jornal O Popular
O JP Jornal O Popular não faz julgamento antecipado, mas não aceita contradição sem cobrança. Vereador eleito para fiscalizar não pode confundir tribuna com proteção de interesses familiares. A cidade exige clareza, critérios e explicações públicas. O espaço segue aberto para resposta formal do vereador Burcão — porque transparência não é favor, é obrigação.
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