O caso que chocou Marília e cidades vizinhas ganhou um novo e contundente desdobramento. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo determinou a suspensão do exercício profissional do psiquiatra Rafael Pascon dos Santos, preso preventivamente desde outubro de 2025, acusado de uma série de abusos sexuais cometidos durante atendimentos médicos.
A decisão, tomada em caráter cautelar dentro de um processo ético-disciplinar, impede o médico de atuar enquanto as investigações seguem sob segredo de Justiça. O caso escancara uma realidade alarmante: pacientes que buscavam tratamento relatam ter sido vítimas de importunação sexual e até estupro dentro do consultório.
O psiquiatra responde como réu em dois processos e soma 32 denúncias envolvendo atendimentos realizados em Marília, Garça e Lins. As acusações incluem toques indevidos, falas de cunho sexual e, em casos mais graves, violência durante consultas.
Preso na penitenciária de Gália, ele teve pedido de habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça. A Justiça também rejeitou a revogação da prisão, mantendo o entendimento de que há gravidade concreta nos fatos investigados.
As denúncias começaram a surgir após registros feitos na Delegacia de Defesa da Mulher, desencadeando uma sequência de novos relatos com características semelhantes. Entre as vítimas, há mulheres adultas e também casos envolvendo pacientes mais jovens e idosas, o que amplia a gravidade das acusações.
O médico atuava em clínica particular e também no serviço público, no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Garça. A investigação agora busca dimensionar o número total de atendimentos realizados no período para entender a extensão dos possíveis abusos.
O caso levanta questionamentos diretos sobre fiscalização, mecanismos de denúncia e a segurança de pacientes em ambientes médicos, onde a confiança deveria ser inegociável.
Comentário do JP Jornal O Popular
Este não é apenas mais um caso policial. É um escândalo que expõe uma ferida profunda no sistema de confiança entre médico e paciente. Quando o consultório vira cenário de abuso, não há apenas vítimas individuais — há uma sociedade inteira ferida. A resposta precisa ser firme, rápida e exemplar. Porque, neste caso, o silêncio não protegeu ninguém.


