“O que um desembargador fazia na cena da morte?”: CNJ investiga elo polêmico no caso da PM Gisele e levanta suspeitas sobre interferência

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O caso da morte da soldado Gisele Alves Santana, que já havia causado comoção pela brutalidade, ganha agora um contorno ainda mais grave e controverso. A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) abriu investigação para apurar a conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), após sua presença no apartamento onde a policial foi encontrada morta, na região do Brás, em São Paulo.

Segundo informações oficiais, o magistrado esteve no local no dia 18 de fevereiro, logo após a morte da vítima, atendendo a um chamado do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto — marido de Gisele e atualmente preso sob acusação de feminicídio e fraude processual. O ponto central que gera inquietação é direto e sensível: não está claro qual foi o papel do desembargador na cena do crime, nem quanto tempo permaneceu no local.

Inicialmente, o TJSP afirmou que Cogan compareceu ao apartamento como amigo pessoal de Neto. No entanto, diante da repercussão e da gravidade dos fatos, o tribunal passou a adotar postura mais cautelosa, limitando-se a informar que não comenta investigações em andamento em outros órgãos, como o CNJ.

A investigação sobre a morte da policial também sofreu uma reviravolta decisiva. A versão inicial apresentada por Neto, de que Gisele teria tirado a própria vida, foi descartada. A apuração concluiu que houve homicídio: o tenente-coronel teria surpreendido a vítima por trás e efetuado um disparo na cabeça. Com base nisso, a prisão foi decretada em 18 de março. Ele foi detido em São José dos Campos e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.

A defesa tentou reagir, questionando a competência da Justiça Militar para determinar a prisão e pedindo a soltura do acusado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no entanto, negou o pedido no mesmo dia, mantendo a detenção.

Agora, a entrada do CNJ no caso amplia o alcance das investigações e levanta questionamentos que vão além do crime em si. A presença de um desembargador na cena, logo após o ocorrido e a convite do principal suspeito, coloca sob análise a possível influência externa em um momento crucial da apuração.

O caso, que já era tratado como feminicídio de alta gravidade, passa a ser também um teste institucional, envolvendo a atuação de membros do Judiciário e a lisura dos procedimentos adotados desde o início.

Comentário do JP JORNAL O POPULAR
O que está em jogo não é apenas a responsabilização de um acusado, mas a credibilidade de todo um sistema. Quando autoridades entram em cena antes mesmo da investigação se consolidar, a dúvida deixa de ser detalhe e passa a ser protagonista. O JP JORNAL O POPULAR seguirá acompanhando com rigor, porque a verdade, neste caso, precisa ser maior do que qualquer influência.

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