“MEDIDA PROTETIVA IGNORADA E ADOLESCENTE MORTA: CONDENAÇÃO POR TRÁFICO AGRAVA SITUAÇÃO DE ACUSADO EM MARÍLIA E EXPÕE FALHAS NA PROTEÇÃO”

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Caso reúne feminicídio, tentativa de homicídio e nova condenação judicial; episódio provoca debate público sobre efetividade das medidas protetivas

O caso que abalou Marília ganhou um novo desdobramento judicial: o homem de 48 anos acusado de matar a namorada de 17 anos e esfaquear a ex-companheira no mesmo dia foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) a cinco anos e 10 meses de prisão por tráfico de drogas em outro processo.

A decisão reformou sentença de primeira instância que havia absolvido o réu. O Ministério Público recorreu, e o Tribunal reconheceu a prática do crime. Ele permanece preso preventivamente e responde também por feminicídio e tentativa de homicídio qualificado.

A sucessão de fatos — medida protetiva ativa, ataque violento em via pública e morte de adolescente dentro da residência do suspeito — transformou o episódio em um dos mais graves e discutidos da região.

ATAQUE COM MEDIDA PROTETIVA EM VIGOR

De acordo com a Polícia Civil, a ex-companheira do investigado foi esfaqueada na Rua Comendador Fragata, em frente a uma academia. Testemunhas afirmam que o homem estacionou atrás do veículo da vítima, abriu a porta do motorista e desferiu golpes de faca.

A filha do casal presenciou o crime.

A vítima sofreu perfurações no pulmão, tórax, abdômen e braço, foi submetida a cirurgia e permaneceu internada em estado grave.

Segundo a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), havia medida protetiva em vigor desde 2024.

O episódio reacende uma discussão sensível: como garantir que ordens judiciais de proteção sejam efetivamente cumpridas e fiscalizadas?

ADOLESCENTE ENCONTRADA MORTA

No mesmo dia do ataque, a namorada do investigado, uma adolescente de 17 anos, foi localizada sem vida dentro da residência dele.

A jovem estava desaparecida havia dois dias. O último contato com a família teria sido uma foto enviada pelo próprio suspeito, informando que ela estaria dormindo na casa dele.

Após a mãe reconhecer pertences da filha no imóvel, a Polícia Militar entrou na residência e encontrou o corpo no sofá.

A perícia apontou ferimentos provocados por objeto contundente. Um martelo com manchas de sangue foi apreendido no local. Há indícios de possível alteração da cena do crime, o que também é investigado.

O caso foi registrado como feminicídio na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília.

CONDENAÇÃO POR TRÁFICO MUDA O CENÁRIO JUDICIAL

Enquanto os processos por feminicídio e tentativa de homicídio seguem em andamento, o Tribunal de Justiça analisou recurso referente a um processo por tráfico de drogas.

A absolvição anterior foi revertida, resultando na condenação a cinco anos e 10 meses de reclusão.

A nova sentença reforça o histórico judicial do acusado e amplia o peso das acusações que ele enfrenta.

UM CASO QUE ULTRAPASSA O ÂMBITO POLICIAL

Mais do que um episódio criminal, o caso expõe fragilidades no enfrentamento da violência contra a mulher e levanta questionamentos sobre monitoramento de medidas protetivas e reincidência.

A discussão agora não se limita aos autos do processo. Ela alcança políticas públicas, fiscalização e estrutura de proteção às vítimas.

A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público.

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