Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O ditado popular cai como uma luva para a situação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro entrou no olho do furacão: o Conselho de Ética da Câmara abriu processo que pode resultar na cassação do seu mandato.
A denúncia, apresentada pelo PT, acusa Eduardo de atuar contra o país ao incentivar autoridades dos Estados Unidos a aplicar sanções econômicas para “desestabilizar instituições republicanas” no Brasil. A Procuradoria-Geral da República também entrou em cena, denunciando o parlamentar por coação no curso do processo, alegando que ele tentou pressionar autoridades brasileiras em favor do pai, Jair Bolsonaro.
O tabuleiro político em movimento
Desde o início do ano, Eduardo mora nos EUA e tem se aproximado de lideranças americanas. Essa movimentação, no entanto, abriu margem para críticas e denúncias. Além da acusação formal, o deputado enfrenta outro calo no sapato: faltas injustificadas na Câmara. Com a negativa do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de abonar as ausências sob o pretexto de liderança partidária, as faltas podem virar munição para mais um processo de cassação.
Na prática, o mandato do deputado está ameaçado por duas frentes:
- Quebra de decoro parlamentar pelas acusações de conspiração;
- Excesso de faltas, que poderá ser analisado futuramente.
O Conselho em ação
O presidente do Conselho de Ética, Fabio Schiochet (União-SC), deixou claro: “Não abrir o processo seria prevaricar”. Agora, caberá a um relator — sorteado entre Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União-MG) — dar o parecer inicial. O prazo é de até 10 dias úteis para decidir se o caso segue adiante ou vai para o arquivo.
O julgamento pode durar até 90 dias úteis, mas parlamentares acreditam que a definição virá mais rápido. Se o processo avançar, Eduardo pode receber desde uma simples censura até a perda definitiva do mandato.
Mandato em xeque e STF no radar
Enquanto a Câmara discute a conduta, o STF acompanha de perto. O ministro Alexandre de Moraes deu 15 dias para Eduardo apresentar sua defesa no inquérito que apura supostas pressões sobre autoridades. A novela promete capítulos quentes, já que as acusações envolvem repercussões institucionais de grande peso.
Comentário JP Jornal O Popular
Em política, quem semeia vento pode colher tempestade. Eduardo Bolsonaro, que já navegou com a maré do sobrenome, agora enfrenta ondas contrárias em alto-mar. O futuro do seu mandato será um teste de resistência, tanto no Conselho de Ética quanto nos tribunais. Resta saber se ele terá fôlego para atravessar essa tormenta ou se será engolido pelo próprio redemoinho que ajudou a criar.
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